Tatiana bateu dois recordes sul-americanos individuais
Tatiana Lemos desembarcou no Aeroporto de Brasília, ontem, com uma hora e meia de atraso. O avião da nadadora brasiliense, que chegou de Pequim, aterrissou na capital federal por volta das 15h. Nem os transtornos — como a fome e o cansaço — provocados pelo problema no vôo que saiu do Aeroporto de Guarulhos (SP) tiraram a expressão de alegria, que era aparente em seu rosto.
Apesar de não trazer medalha na bagagem, a atleta do Clube Pinheiros (SP) tem motivo de sobra para comemorar sua segunda participação consecutiva em Jogos Olímpicos. Tatiana bateu dois recordes sul-americanos individuais — o menor tempo, nos 100m livre, com 55seg01. Além disso, ela ajudou a equipe brasileira a superar outros dois índices continentais: nos 4 x 100m livre (3min42seg85) e 4 x 100m medley (4min02s61). Nas duas provas, a equipe brasileira ficou em 13º e 10º lugares, respectivamente.
Sua chegada era aguardada pelo marido e técnico da atleta, Antônio Henrique. Tatiana, segundo ele, não deve ficar muito tempo em casa pois vai participar do Troféu José Finkel realizado entre os dias 2 e 7 de setembro no Clube do Corinthians (SP). No desembarque, foi saudada com um beijo do marido. Sorridente, Tatiana parecia uma estreante nesse tipo de competição internacional. “É indescritível a emoção de participar de uma olimpíada”, resumiu. “Estou satisfeita. O nível da competição está cada dia mais alto”, analisou. Até a comida chinesa agradou a atleta. “Comi carne, massa em Pequim.”
O semblante da atleta só se alterou quando foi perguntada sobre a diferença de nossos atletas para os competidores das grandes potências mundiais, como os Estados Unidos. “Falta infra-estrutura no Brasil. A gente precisa de filmagem aquática, para analisar nosso desenvolvimento, fisiologista e piscinas boas. Isso é básico e não tem aqui. Nos Estados Unidos, o nadador começa contando com esses recursos”, comparou.
Apesar disso, a nadadora acredita que os atletas tupiniquins estão no caminho certo. “Estamos evoluindo a cada Olimpíada”, acredita. Tatiana citou César Cielo, que ganhou ouro e bronze. “Ele foi demais”. Com 29 anos, a nadadora acredita que terá fôlego para disputar as Olimpíadas de Londres em 2012. “Vou me preparar para isso.”
Matéria retirada do site Swim It Up
Auto: Ary Filgueira
